Com segurança você vai mais longe

Nesta a nas próximas edições a Test Rider vai dar dicas para uma pilotagem segura de motocicletas

Johnny Inselsperger  | Test Rider

Uma vez li que não existe motociclista velho e imprudente. Ou você é um velho motociclista, ou imprudente. Para quem anda sobre duas rodas, além de obedecer as regras de trânsito, é necessário seguir normas de comportamento humano como educação, respeito ao próximo e amor à vida.

O Test Rider vai realizar em uma série de reportagens os cuidados na pilotagem. Nesta primeira vamos abordar os equipamentos.

Um alerta importante: não basta usar os equipamentos de segurança, é preciso saber como escolher, usar e conservar. O capacete é o item principal, já que 80% das mortes em acidentes com motos ocorrem por pancadas na cabeça.

Ele precisa vestir de forma bem justa. Se estiver folgado o vento irá deslocar o equipamento e atrapalhar a visão. Quando o capacete começa ficar folgado na cabeça é hora de substituí-lo. A viseira também é muito importante e deve ser antirrisco e ter mais de 1mm de espessura. Além disso, a fivela deve estar sempre justa encostando na pele do pescoço. O capacete com as fivelas soltas oferece a mesma proteção de um chapéu. Além disso, viseira levantada é infração gravíssima, rende sete pontos na carteira de habilitação e suspensão do direito de dirigir, que pode variar de 30 a 180 dias.

Capacetes abertos devem ser acompanhados de viseira ou óculos de proteção. Já os basculantes, conhecidos como “robocop” são versáteis, porém mais frágeis que os integrais. Nunca use modelo “coquinho”, pois além de ilegal, não oferece proteção nenhuma.

Dica: Guarde sempre o capacete com a viseira aberta para ventilar e evitar mofo. Lave a forração com sabão neutro e a parte externa com sabão neutro e cera para polir. A viseira deve ser limpa com lustra-móveis frequentemente para a água deslizar.

As luvas são muito importantes e precisam ter reforço na palma e
na placa de plástico na parte superior, além de material resistente (ideal é o couro) e costura dupla. As luvas com dois velcros são as melhores, pois um regula a folga por cima do casaco e a outra fixa no punho e impede que saia em caso de atrito.

Durante uma queda o corpo do motociclista sofre uma enorme onda de choque que se espalha e termina nas extremidades. Por isso é comum os calçados serem arremessados. As botas garantem que ficarão presas aos pés e ainda limitam a movimentação de pés e tornozelos durante a queda.

Dica: Já existem calçados para trekking que se adaptam muito bem ao uso motociclístico.

Casacos e macacões podem ser de couro ou material sintético. O couro, por ser um material orgânico de origem animal, tem grande resistência à abrasão, que é o calor gerado pelo atrito gerado pelo corpo contra o chão durante uma queda. Porém o couro absorve água e, quando molhado, aumenta demais o peso do conjunto.

Já o material sintético, erroneamente chamado de Cordura (marca registrada da Dupont), é mais ventilado, impermeável e repelente de água. Porém têm ponto e fusão baixo, ou seja, em caso de calor gerado pelo atrito com o solo, o poliéster derrete e se abre, expondo a pele do motociclista. Por isso é importante ter proteções internas de plástico EVA. Graças ao forro interno pode servir tanto para uso no calor ou no frio

Dica: Qualquer item de couro deve ser limpo apenas com sabão neutro ou produtos especiais para calçados. Após chuva, seque à sombra e passe creme hidratante (de pele mesmo!). Para acabar com o ranger de botas, use vaselina líquida.

Outros itens para a pilotagem segura de  motocicletas

Protetor de coluna – Hoje em dia é um equipamento obrigatório nas pistas, mas infelizmente ainda pouco usado nas estradas. Ele protege as vértebras e a coluna lombar. Com a vantagem de a cinta abdominal obrigar a manter uma postura mais ereta. Indicado para viagens em esportivas, trails e nakeds. Para motos custom torna-se desconfortável.

Protetor de pescoço – Pelas leis brasileiras é proibido o uso de vidro moído em linhas de pipa (cerol). Em algumas motos não há local para instalação de uma antena anticerol, por isso existe um equipamento feito de neoprene com cabos de aço internos. É aconselhável para quem roda muito na cidade, em especial nas férias escolares.

Capa de chuva – Mesmo no calor é sempre aconselhável ter uma capa de chuva por perto. No inverno a chuva pode se tornar uma grande inimiga. O vento frio em contato com o corpo pode fazer a sensação térmica cair abaixo de zero grau. Em pouco tempo pode levar o motociclista à hipotermia e o primeiro sinal é sonolência. Imagine o que isso significa!

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