Segurança parte II: Não perca o foco para ficar longe do chão

Continuamos nesta edição nossa série especial de reportagens sobre segurança no trânsito

Texto: Johnny Inselsperger  | Test Rider

A Test Rider preparou uma série de reportagens que servem como um manual de sobrevivência para quem pilota motocicletas. Nesta segunda reportagem vamos abordar a importância de focar a atenção durante a condução das motos. As informações foram passadas durante curso de reciclagem de pilotagem para jornalistas promovido pela Honda e ministrado pelo instrutor Geraldo Tite Simões.

A intenção é passar informações que ajudem a aprimorar a pilotagem de motos e alertar para situações que podem terminar em acidentes. Em primeiro lugar é preciso entender que as ruas e estradas, mesmo que passando todo dia pelo mesmo local, sempre apresentam surpresas. Por isso, é necessário estar preparado para as mudanças de comportamento das motos em decorrência da aderência, a inclinação do asfalto, sujeira, faixas, outros veículos e até sua moto muda de comportamento. Uma vez consciente das técnicas, o piloto reage rápido e instintivamente a cada nova situação.

A proposta é tornar as técnicas de pilotagem tão naturais que serão feitas sem exigir o pensamento repetitivo. Basta focar sua atenção na situação como um todo, avaliando os parâmetros de velocidade, condição de pista, posição do corpo etc. Sua atenção estará focada no solo e na moto.

A palavra chave para focar é a previsão. Como a própria palavra descreve, é preciso prever a situação seguinte, prever a reação da moto e preparar-se para enfrentar cada nova variável que se apresentar.

Suavidade nos movimentos

A maioria dos motociclistas pensa que ser rápido é ser agressivo. Agir rápido não é sinônimo de agir com violência. É perfeitamente possível ser rápido de forma suave.

Os grandes campeões conhecem a essência de ser suave na pilotagem. Todos respondem as informações da moto de forma suave e precisa. A fórmula para ser suave começa no momento de pôr a moto em movimento. Da aceleração à frenagem. Da frenagem para a curva. Da curva para a reaceleração. Movimentar o corpo de forma agressiva vai fazer a moto parecer agressiva com você.

Arrancada e aceleração

A transferência de massa numa motocicleta determina boa parte das diferenças entre a pilotagem de moto e carro. No carro também existe os deslocamentos de massa, mas você pode pular quanto quiser no banco que não se notará diferença nenhuma no andamento do carro. Na moto você dispõe de seu peso para ajudar (ou agravar) na pilotagem. Para arrancar, a regra é a mesma: ser suave, rápido e decidido. Soltar a embreagem de uma vez faz a frente levantar, perder o contato com o solo e desequilibrar todo conjunto. O corpo deve se deslocar para frente, equilibrando as forças; a embreagem é solta de forma suave para não empinar, mas rapidamente para não prejudicar os discos, nem perder tempo: quanto mais cedo solta-se a embreagem, mais cedo o motor começa a trabalhar com toda potência.

Desaceleração e retomada

Um dos segredos para pilotar rápido e seguro é saber controlar o acelerador. Quanto mais tempo o motor se mantiver em aceleração, mais potência é transmitida para a roda. Porém, acelerar na hora errada desequilibra a moto e obriga a uma correção que custa tempo, coloca todo conjunto em crise e pode levar ao tombo. Nos atuais motores quatro tempos de grande potência, a embreagem deixa o motor trabalhar mais livre na desaceleração, equilibrando o efeito do freio-motor. Em contrapartida, eles estão cada vez mais afinados em relação à curva de potência, despejando potência ao menor giro do acelerador. Por isso, a regra fundamental é desacelerar suavemente, na fase de preparação da curva ou frenagem, “sentir” a moto no chão e só voltar a acelerar com a moto menos inclinada, sempre suave e decididamente.

O acelerador deve ser acariciado, não estapeado.

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