Um celeiro de atletas do Freestyle Motocross

Centro de Treinamento em Campinas possibilita a descoberta de novos atletas da modalidade freestyle do motociclismo

Texto: Johnny Inselsperger | Test Rider
Fotos: Osvaldo Furiatto Jr.

A modalidade esportiva e de exibição freestyle motocross (FMX) levanta o público, que vibra com manobras acrobáticas radicais com grande plasticidade enquanto saltam de motocross. Nas competições, o vencedor é avaliado pelos juízes pelo estilo, nível de dificuldade da manobra, melhor uso do percurso e reação dos espectadores. A atividade, que é ligada à CBER (Confederação Brasileira de Esportes Radicais), exige do piloto muitas horas de treino diárias, coragem, sangue frio, poder de concentração total e uma estrutura que permita o treinamento de todas as manobras existentes e outras que ainda venham a ser criadas.

O show começa quando as motos são ligadas e o público desperta. A adrenalina sobe junto com o giro do motor quando a motocicleta arranca em direção à rampa. Em poucos segundos soltos no ar, moto e piloto decolam e voam cerca de 20 metros para realizar uma ou mais manobras. As pessoas ainda prendem a respiração até os dois ficarem na posição certa e realizarem a aterrissagem e parar.

Depois da manobra concluída, piloto e público se unem na vibração gerada pela dificuldade na execução das manobras radicais.

Nas exibições, o espetáculo não se restringe aos saltos. Antes e depois das manobras, os pilotos convocam a torcida, seja queimando o pneu, empinando e outras peripécias, que aumentam a expectativa para assistir outros saltos. Seja como competição ou exibição em espetáculos, o FMX eleva adrenalina tanto dos atletas nas motos quanto do público que acompanha. A Test Rider acompanhou o treinamento de dois pilotos que se revezam nos pódios e integram a equipe oficial da Yamaha, Fred Kyrillos, campeão brasileiro de 2012, e Jeff Campacci.

Centro de Treinamento

O sucesso conquistado por esses atletas é resultado de muita dedicação, concentração nos treinamentos e uma infraestrutura que conta com a maior e mais completa pista particular da América Latina e a maior caixa de espuma do Brasil com 20×10. Além disso, uma pista de motocross está sendo construída para melhorar o desempenho dos atletas. O CT possibilita treinar todos os saltos com segurança. O centro de treinamento dos pilotos funciona dentro do espaço do Hotel Fazenda Solar das Andorinhas, no bairro Carlos Gomes, em Campinas. Ele tem nove rampas com os mais variados padrões.

Kyrillos explica que a sua evolução foi total desde a mudança de São Paulo para Campinas. “Mudou 100%. É outro estilo de vida e rotina de treinos. Primeiro pela facilidade. Chego na pista em 15 minutos e isso me permite vir até três vezes ao dia.” Campacci destaca que a construção da pista de motocross integrada ao FMX possibilita realizar o speedstyle, que é a corrida de motocross junto com o freestyle.

Quem também treina no CT do Solar das Andorinhas é Raphael Arnellas, de 31 anos, piloto profissional de exibições. Disputou provas de motocross dos 15 aos 22 anos nos campeonatos paulista e brasileiro categoria 125cc. Começou no freestyle em 2006 fazendo apresentações e em 2007 sofreu um acidente durante os treinos. “Não dá para praticar o freestyle como hobby”.

Em 2008, foi para Indonésia e não parou mais com o stand show. “Hoje vivo disso”, afirma Arnellas. Ele ficou 13 meses na China fazendo shows diários. “Tinha pilotos de todas as partes no mundo. É um amadurecimento absurdo com cultura, alimentos e estilo de vida muito diferentes.” Voltou para o Brasil em julho do ano passado e em setembro recebeu novo convite para trabalhar na China, quando sofreu uma fratura no tornozelo e agora está voltando aos treinos. “O objetivo é recuperar. Voltar aos stand shows, com foco no campeonato amador de freestyle. Hoje Campinas é referência pela pista e pelos pilotos”.

Currículo

Fred Kyrillos nasceu em São Paulo e tem 27 anos. Anda de moto desde os seis anos. Dos 13 aos 17 anos praticou o motocross e pilota profissionalmente desde 2007. “Sinto que estou mais maduro e aprendi a andar e a usar a cabeça”. Kyrillos explica que, para alcançar os resultados como piloto de freestyle, é preciso dedicação e que vive o melhor momento da carreira. “A vinda para Campinas mudou 100% meu estilo de vida e permite uma rotina mais intensa de treinos.”

Além de piloto, Kyrillos é chefe da equipe Ipiranga e coordenador técnico na CBER. Defende que neste momento o freestyle precisa estruturar a categoria de base. “Tem muito piloto bom que não tem onde andar. A luta este ano é fomentar essa base e mostrar que existe um caminho para quem deseja ser piloto de freestyle”, explica.

Antes de receber o apoio da Yamaha com duas motos da equipe oficial de FMX da marca, o piloto utilizava apenas uma YZF-450, de 4 tempos. “Foi o reconhecimento. Uma está pronta para o freestyle e a segunda para o motocross. Com a experiência fora do Brasil, percebi que todos os tops do freestyle treinam o motocross”. Além da Yamaha, Kyrillos tem o patrocínio da Ipiranga, Pró-Tork, Monster Energy, Lost, Rinaldi e apoio do Solar das Andorinhas, Allsign Graphics e RM Racing

Jeff Campacci nasceu em Campinas e tem 24 anos. Começou aos 17 anos e foi direto para o freestyle. Conta que quando ia com seu pai na pista de motocross, mostrava mais interesse nas manobras do que no circuito. “Cortava a pista e ia direto ao pulo”, revela Campacci. Em 2008 , no primeiro campeonato ficou em segundo na classificação e em quinto na final, quando foi convidado pelo piloto Jorge Negretti para integrar sua equipe de exibições. Utiliza uma YZ 250 com motor 2 tempos. “Com três anos subi na moto RD 350 do meu pai e pedi para empinar e ele ficou com medo e vendeu a moto”. Não adiantou, com a moto emprestada por Negretti, ele realizou apresentações e shows, onde pegou dicas com pilotos do mais alto nível como Natan Azevedo e Cyro Oliveira.

No final de 2012, um acidente nos treinou causou a fratura nos dois pés e três meses de recuperação. Mesmo assim terminou o Campeonato Brasileiro na vice-liderança e no mês de abril foi apresentado como piloto oficial da Equipe Yamaha de Freestyle. Tem ainda os patrocínios da Ipiranga, Circuit, Vaz, Solar das Andorinhas, Rinaldi, Campacci e o apoio da Alpinestars, MRF Brasil seguros e Allsign Graphics.

Parceria

A parceria começou antes, mas há um ano Kyrillos e Campacci treinam juntos. São unanimes em afirmar sobre a evolução que a parceria gerou para melhorar a infraestrutura e a troca de experiências. “A pista já era legal e com minhas rampas elevou o nível técnico e podemos encarar qualquer evento, em qualquer parte do mundo. Ele (Campacci) é um dos melhores do País e um puxa o nível do outro. É um estimulo de competição saudável”, disse Kyrillos.

A frase: “não basta ser pai, tem que participar” é levada ao pé da letra para Jeff Campacci, agora mais conhecido como “Jeff pai”, que dedica a maior parte do seu tempo ao filho ilustre. Ele é motorista, fotógrafo, treinador, conselheiro, faz o ‘meio de campo’ nos eventos, acompanha e confere toda estrutura montada durante as apresentações, empresário e fã número um do piloto de motocross. “É um menino de ouro. Muitos da idade dele estão perdidos por aí. Olha a dedicação e a seriedade dele”, explica Jeff pai. Para quem pensa que a rebeldia é a marca dos atletas radicais, estão muito enganados. Avós, pais e muitos parentes acompanham de perto as manobras e recebem toda atenção do atleta.

Freestyle Motocross (FMX)

Segundo a própria definição da CBER, o FM X é relativamente novo e consiste na execução de manobras acrobáticas durante o salto de motocross. Uma das manobras que mais atrai a atenção do público é o backflip, onde o piloto realiza um mortal. O primeiro foi executado por Carey Cervo, que utilizou uma rampa especial e uma moto de 250cc. Logo depois Mike Metzger executou o backflip com uma rampa padrão de freestyle e recepção na areia.

O piloto começa tirando os pés, mãos, depois colocam as motos de lado e alguns chegam a manobras como o body varial, ou apenas carolla, ou backflip 360º e o duplo backflip, as manobras mais complicadas. As motos utilizadas tem a suspensão ajustada, banco rebaixado e corte nas laterais para colocar as mãos durante as manobras.

 

 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *