Série: Em nome da segurança

Brasil discute novas normas e necessidade de aumentar a segurança das motocicletas

Texto: Edimarcio Augusto Monteiro | Test Rider

O Brasil discute a adoção de novos equipamentos para aumentar a segurança dos motociclistas. Entre eles estão a adoção de freios ABS (antitravamento), obrigatoriedade de airbag para motociclista e segurança nas competições. A adoção de sistema do ABS em motocicletas poderia reduzir o número de mortes de motociclistas no trânsito brasileiro, de acordo com o Cesvi (Centro de Experimentação de Segurança Viária (Cesvi). A entidade aponta que um estudo feito pelo Insurance Institute for Highway Safety (IIHS), órgão de segurança veicular e viária mantido pelas seguradoras norte-americanas, aponta que o equipamento pode diminuir em 37% os acidentes fatais. Além disso, proporciona uma redução de 23% no número de colisões.

O ABS (sigla para Anti-lock Braking System) evita o travamento das rodas durante a frenagem permitindo ao motociclista manter o controle sobre o veículo, dando a oportunidade de mudar a sua direção. Além disso, o sistema reduz a distância necessária para parar a moto. Em uma frenagem a 100 km/h, de acordo com o Cesvi, a diminuição é de 9 metros, o que pode ajudar a salvar vidas. Com um sistema de freios convencional, a motor precisa de até 58,5 metros para parar. Com o ABS, a distância cai para 49,5 metros.

Minoria
Vários modelos de motos nacionais e importadas comercializadas no Brasil já são equipados com ABS como item de série ou opcional, mas o sistema ainda é pouco adotado. Segundo levantamento feito pelo Cesvi, apenas 17% das motos vendidas contam com o sistema antitravamento. Mesmo assim o equipamento está disponível para modelos acima de 250
cilindradas, que representam apenas 13% do total das vendas.

É um dado importante se levarmos em consideração que o número de mortes em acidentes com motos no Brasil aumentou 263,5% em 10 anos, de acordo com o Ministério da Saúde. Os dados do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) mostram que 11.268 motociclistas morreram em 2011, contra 3.100 em 2011, sendo os números mais recentes disponíveis.

Obrigatório
“O consumidor vai perceber o benefício e cobrará o uso do dispositivo também nas motos. Por isso, informações como as elaboradas por este estudo almejam orientar os consumidores na hora da compra, oferecendo a ele dados de qualidade e que colaborem para a proteção de seu bem maior, que é a vida”, disse Almir Fernandes, diretor executivo do Cesvi.

O uso do ABS passará a ser obrigatório automóveis novos nacionais e importados no Brasil a partir de janeiro, juntamente com o airbag duplo frontal (para motorista e passageiro). Já para as motocicletas, a utilização do sistema antitravamento e do colete ou jaqueta com airbag ainda está em discussão.

Já na Europa, todas as motocicletas terão que ser obrigatoriamente equipadas com ABS a partir de 2016.

Lei para obrigar airbag para motociclista

O uso de colete ou jaqueta com airbag deu mais um passo para se tornar obrigatório no Brasil para os condutores e passageiros de motocicletas. A Comissão de Assuntos Sociais do Senado aprovou um substitutivo ao projeto de lei que torna obrigatório o uso do equipamento de segurança, juntamente com como itens obrigatórios capacete, botas, luvas e vestimenta que cubra todo o corpo.

O texto aprovado estabelece que os motociclistas terão prazo de três anos para adaptação do colete com airbag. O vestuário de segurança deverá ser dado aos motoboys pelas empresas ou pessoa que empregar ou contratar o condutor, quando o motociclista trabalhar como autônomo.

Já existem no mercado brasileiro opções de colete e jaqueta com esse dispositivo, com preço entre
R$ 479 e R$ 2.762.

Uso de muro de ar em competições

Começa a ser comercializado no Brasil o Airfence, muro de contenção para aumentar a segurança em competições, cursos de pilotagem e outros eventos esportivos. É um tipo de parede inflável e macia que minimiza o choque do piloto e da motocicleta, reduzindo a gravidas das lesões e traumas em caso de acidente.

Muitas vezes o impacto contra as barreiras causam mais danos do que o tombo em si. Outra vantagem do sistema é que evita que, após o choque, o piloto e a moto sejam jogados de volta para a pista, aumentando o risco de gravidade do acidente por atropelamento.

Além disso, as barreiras convencionais ficam expostas ao tempo e ao risco de contaminação por bactérias, podendo agravar a saúde dos pilotos em contato com alguma lesão exposta. O Airfence já é usado em mais de 40 países em provas da AMA, SKB, MotoGP e FIM e está homologado pela CBM (Confederação Brasileira de Automobilismo). A Airfence pertence à sul-coreana Harim.

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