Galeria Triumph Bonneville T100: nostalgia que apaixona

Naked mantém visual dos anos 1960 com uma máquina moderna

Johnny Inselsperger
Fotos: Osvaldo Furiatto Jr

Uma volta ao passado: está é a sensação mais marcante ao observar e pilotar a Triumph Bonneville T100. Muito além do visual retrô, a Naked não vem carregada com recursos tecnológicos e permite ao piloto estar 100% no comando de uma máquina muito fácil e prazerosa de rodar.

A Bonneville atrai pelas linhas clássicas das motos dos anos 1960, como o farol redondo, dois relógios arredondados no painel, rodas raiadas, tanque oval, o banco plano, os longos escapamentos cromados com as pontas afinadas até a lanterna traseira com desing retrô, além da cor em dois tons.

Mas são nos detalhes que a T100 seduz. O que aparenta ser o carburador, na verdade esconde o sistema de injeção eletrônica de combustível, assim como os falsos tubos da haste de comando do balancim na frente do motor. A chave de ignição fica posicionada no lado esquerdo do farol. Até nos detalhes se percebe o cuidado britânico com as hastes que dão sustentação ao para-lama dianteiro e o característico amarelado dos escapamentos das motos antigas. Tudo para reforçar as boas sensações associadas às motos antigas

O funcionamento do motor emite um som único, diferente do característico ronco das motos com dois cilindros. O funcionamento é liso e sem vibrações. A moto é fácil para montar e alcançar os pés no chão. Ela tem apenas 775 mm de distância do assento ao solo. O banco é bem confortável na largura e na quantidade de espuma. A garupa fica com o corpo bem junto ao piloto, uma sensação que anda difícil de sentir, já que a maioria das motos tem o assento em dois níveis.

A posição do corpo de piloto e garupa é ereta. As pernas se encaixam bem no tanque e os braços ficam em uma altura confortável em relação ao guidão.

Apesar de possuir um motor forte, com 865 cm³ com dois cilindros, duplo comando de válvulas com refrigeração a ar que desenvolve bons 68 cavalos de potência máxima a 7.500 rpm, o grande prazer da T100 não está nas altas velocidades, e sim, em desfrutar das paisagens em uma moto muito confortável onde os pneus parecem que não tocam o chão. Mas se quiser elevar a adrenalina é só esticar o cabo do acelerador e sentir a retomada vigorosa, mesmo na quinta e última marcha.

Equilibrada nas curvas e mudanças de direção, mas sem radicalizar, já que a Bonneville prioriza o conforto no conjunto das suspensões. Na dianteira tem tubos de 41mm com curso de 120mm e duplo amortecimento na traseira com 106mm de curso e regulagem de pré-carga. Viajando sozinho ou acompanhado, elas funcionam bem, transmitem segurança e assimilam as imperfeições nas ruas e estradas.

Utilizei a moto para o dia a dia e o modelo de entrada da Triumph não decepcionou. Seus 225 kg de peso – com tanque cheio e óleo – estão bem distribuídos e dão equilíbrio ao conjunto facilitando nas manobras em baixa velocidade. O esterço do guidão poderia ser um pouco maior, mesmo assim, superou até os congestionamentos mais complicados com certa facilidade.

Durante os 1.166 quilômetros rodados com a Triumph Bonneville T100 em estradas e cidade, a média de consumo foi de 18,8km/l, mas é importante sempre destacar que a média varia muito dependendo de vários fatores, principalmente da mão de cada condutor. Com o tanque de 16 litros é possível percorrer algo em torno de 300 quilômetros sem a necessidade de abastecer.

Equipada com freios a disco nas duas rodas. Na frente utiliza disco com 310mm com dois pistões. Na traseira o disco com 255mm com dois pistões trava a roda um pouco cedo nas frenagens. O painel é coerente com a proposta. O velocímetro e o conta-giros redondos e analógicos são nostálgicos.

A Triumph Bonneville T100 é fabricada em Manaus (AM) e está disponível nas cores cereja com creme e preta com cinza. A linha 2014 ganhou as cores preta com vermelho e o branco com dourado.

O preço sugerido pela fabricante é de R$ 29.900 com um ano de garantia sem limite de quilometragem. O moto utilizado durante a reportagem veio equipado com um conjunto de malas de couro que são vendidos como acessório por R$ 2.300.

Ponto positivo: no geral, uma moto com visual atraente, boa ciclística e motor confiável, a Bonneville é um convite para um passeio despretensioso e no dia a dia.

Ponto negativo: o freio da roda traseira trava com facilidade e o pouco ângulo de esterço exige mais habilidade para conduzir no trânsito urbano.

Agradecimento a modelo Stephany Berardineli

3 Comments

  1. Álvaro Camargo

    Interessante reportagem, gostaria de saber se a Triumphy Bonneville é melhor do que a Harley Davidson 883, pois estou indeciso sobre qual adquirir. A ausência de ABS e de transmissão por correia comprometem a Triumphy?
    abraço
    Álvaro

    • Johnny Inselsperger

      Boa tarde Álvaro! A Triumph Bonneville e a Harley 883 são motos com propostas bem distintas. A Triumph tem um funcionamento suave e linear, além de uma ciclística melhor. Já a HD 883 já transmite toda a sensação da marca americana. Original de fábrica, a Bonneville também está mais preparada para andar com garupa. Vale a apena fazer um test drive em cada uma e ver qual ‘veste melhor’. Obrigado
      Equipe Test Rider

  2. Fernando Guimarães

    Linda moto, que há pouco tempo tornou-se sonho de consumo. A cada avaliação lida, quero mais ainda essa moto. Parabéns pelo review!

    P.s: Existe alguma chance dessas fotos serem postadas na resolução original? Todas merecem ser wallpaper!

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