MV Agusta F4RR: feita para as pistas

Além de refinado design, modelo italiano tem alta performance e muita tecnologia para ajudar a domar essa superesportiva

Johnny Inselsperger
Fotos: Osvaldo Furiatto Jr

MV Agusta F4RR

Sabe aquela motocicleta que você tem a oportunidade impar de avaliar e a experiência não sai mais das suas lembranças. Pois a MV Agusta F4RR é uma delas. Começa pelo design com grafismos e linhas italianas marcantes, de um bom gosto que dificilmente alguém que conhece vai confundi-la com outra superesportiva. O farol em formato de gota ganha realce com o LED. Mas é principalmente a traseira com suas quatro imponentes ponteiras do escapamento que saem debaixo do banco da garupa que atrai o olhar e a curiosidade da maioria das pessoas.

Afinal, é uma saída para cada cilindro do motor. Mas essa beleza tem um preço e o calor que ele emite é algo que pode ser penoso, ainda mais para quem se habilita a andar na garupa.

O refinamento está em cada parte da MV Agusta F4RR. O motor com 998cc e quatro cilindros com refrigeração líquida tem bielas de titânio e alcança os 200,8 cv de potência máxima a 13.400 rpm e torque máximo de 11,3kgf.m a 9.600rpm e sua força aparece mesmo acima dos 6.000rpm. O peso seco é de 190kg, o que dá uma relação de mais de um cavalo de potência para cada quilo. Ou seja, não estamos falando de uma máquina para iniciantes.

A MV Agusta F4RR é mesmo uma máquina preparada para as pistas. Rodando com a motocicleta a 120km/h em sexta marcha o motor parece fazer uma força descomunal. Mas elevando a velocidade e o giro, o funcionamento fica redondo, mostrando sua vocação. Ou seja, quando maior o giro do motor, melhor seu funcionamento.

Por isso cuidado se resolver rodar com a MV Agusta F4RR na cidade. Primeiro esteja preparado para as infindáveis perguntas de outros motociclistas em cada semáforo. Segundo, apesar de sua incrível ciclística nas estradas, no trânsito, o esterço do guidão é reduzido e ficar travado entre os carros vai elevar muito a temperatura. O calor do motor e escapamento castiga.

Ainda bem que os recursos eletrônicos ajudam a reduzir as respostas ariscas do acelerador, o controle de tração e o ponto de interferência do sistema de antitravamento das rodas (ABS).  Além disso, ainda dispõe de 4 mapas da injeção eletrônica, que permite ajustes finos da sensibilidade do acelerador, que não utiliza cabos (sistema Ride by Ware), do torque, das respostas do motor, do freio motor e do limitador de rotações. Tudo nos três modos de potência: Rain, Normal e Sport.

Tem ainda o controle de tração que oferece oito configurações diferentes.  Mesmo assim, a superesportiva italiana exige experiência do piloto para controlar uma deliciosa carga de brutalidade despejada pela MV Agusta F4RR na roda traseira, que insiste em querer empinar a frente.

Na estrada, a motocicleta tem respostas rápidas e retomadas de velocidade onde são necessários bem poucos segundos para alcançar os 200km/h e ainda sobrar um bom tanto de curso do acelerador para abrir. Na ficha técnica o fabricante informa que a velocidade máxima é de 297,5km/h em circuito fechado.

Durante a avaliação foram percorridos 461km e a média de consumo ficou em 17,7km/l. Como o tanque tem capacidade para 17 litros, é possível rodar cerca de 300km com um tanque cheio.  Pilotos com 1,75m em média colocam bem os dois pés no chão, já que a distância do assento ao solo é de 830mm.

O quadro tubular de treliça é soldado a mão e também faz parte de todo trabalho de design da montadora italiana, mas além de belo, tem papel importante na ciclística, que em altas velocidades proporciona respostas precisas aos comandos nas mudanças de direção. A balança traseira é monobraço de alumínio e deixa à bela roda forjada também de alumínio totalmente a mostra.

A MV Agusta ainda conta com o reforço do amortecedor de direção eletrônico que também pode ser ajustado e transmite firmeza e segurança ao guidão em altas velocidades e leveza nas manobras em baixa.

Por falar em recursos eletrônicos. Na dianteira, os tubos telescópicos da suspensão Öhlins tem haste com 43mm e 120mm de curso, com ajuste eletrônico da compressão e da pré-carga da mola. Na traseira, também da marca Öhlins com monoamortecimento, 120mm de curso e os mesmos ajustes eletrônicos de compressão e pré-carga da mola.

E se o refinamento está em cada parte da MV Agusta, com os freios não poderia ser diferente. Os discos na traseira e dianteira são da grife Brembo. Na frente são dois com 320 mm do tipo radial com 4 pistões que dificilmente precisam da interferência do ABS tamanho a eficiência. A traseira tem disco com 210mm que fica no centro da roda e estabiliza muito bem nas frenagens.

O painel é outro espetáculo que seduz o piloto. Grande e totalmente digital, traz todas as informações sobre os recursos eletrônicos, além do velocímetro, conta-giros e o indicador de marcha e temperatura.  Ou estuda bem o manual ou vai um tempo até decorar todos os ajustes.

E como não poderia deixar de ser, o preço é um dos motivos que faz da MV Agusta F4RR um produto exclusivo. São R$ 89.900 e está disponível nas cores branca e vermelha.

Ponto Positivo: o conjunto que une design, alta performance e uma parafernália imensa de recursos eletrônicos eleva a adrenalina e gera uma emoção impar ao pilotar a MV Agusta F4RR. Mas o conjunto de freios merece uma citação a parte. Eles foram nota 10.

Ponto Negativo: o calor do motor e do escapamento é algo complicado para piloto e garupa. Em dia de calor a situação pode ficar ainda mais grave e exigir que o piloto desligue a moto para não ferver.

Agradecimentos à modelo mexicana Liz Ojeda

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